Caso Henry Borel: perito reafirma lesão no fígado como causa da morte
Julgamento do caso Henry Borel O perito Leonardo Huber Tauil, do Instituto Médico-Legal, afirmou em depoimento no 8º dia de júri do caso Henry Borel, nesta s...
Julgamento do caso Henry Borel O perito Leonardo Huber Tauil, do Instituto Médico-Legal, afirmou em depoimento no 8º dia de júri do caso Henry Borel, nesta segunda-feira (1º), que não encontrou sinais de que a criança morreu após um acidente doméstica. A causa da morte, apontada em todos os laudos e reafirmada no interrogatório, foi hemorragia interna por laceração hepática, causada por ação contundente. Quando a defesa de Jairinho perguntou sobre erros no documento, como identificação errada da cor dos olhos da criança e outro hospital como local do atendimento de Henry, Leonardo disse que foram causados por "lapsos" de digitação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Ao ser questionado sobre a reprodução simulada da morte da criança, Tauil afirmou que não encontrou móveis onde Henry pudesse ter batido para causar uma lesão. A defesa de Jairinho afirma que a morte pode ter sido causada por um acidente doméstico: "A gente não encontrou algum móvel ou objeto na casa que ele pudesse cair de maneira espontânea e causasse essa laceração hepática", disse o perito. Em um dos laudos, Tauil afirmou que não havia sinal de maus-tratos crônicos à criança. Ele voltou a dizer, durante o interrogatório, que não encontrou esses sinais. Justiça retoma julgamento do caso Henry Borel; mãe e padrasto são acusados de tortura e homicídio qualificado Jornal Nacional/ Reprodução O perito ainda foi perguntado se sabia de uma mensagem do advogado de Leniel para seu cliente, informando que a então diretora do Instituto Médico Legal, Gabriela Graça, estava se disponibilizando para ajudá-los no caso. Um áudio foi mostrado no plenário, e Leonardo afirmou que não sabia de nada em relação a essas conversas. Tauil afirmou que encontrou três ações contundentes na cabeça de Henry e identificou grande quantidade de sangue, oriunda da laceração no fígado. O advogado Cristiano Medina perguntou se Henry poderia ter sofrido a lesão antes de dormir e só começado a sentir dores horas depois. O perito, no entanto, afirmou que considerava isso "bem difícil". Tauil foi o responsável por assinar os laudos de necrópsia e os laudos complementares sobre as lesões encontradas no corpo da criança. Perito diz que massagens podem ter causado lesão no fígado Jefferson Evangelista Corrêa, médico e assistente técnico da defesa de Jairinho, disse que as mais de 9 mil massagens cardíacas feitas para reanimar o menino no hospital Barra D'or podem ter causado a lesão no fígado de Henry Borel. A defesa de Jairinho alega que o menino chegou vivo à unidade de saúde, e que essa hipótese descartaria qualquer agressão do ex-padrasto do menino como causa da morte: "Obviamente, nesse tipo de massagem, isso vai fazer o fígado sangrar", afirmou Jefferson. A acusação alegou, em diferentes momentos do processo, que a possibilidade de lesão hepática após massagens de reanimação é muito remota. "Se essa criança tinha uma lesão hepática tamponada, a massagem cardíaca destamponou e acelerou o processo para a morte da criança", afirmou. Jairinho em mais um depoimento sobre a morte de Henry Borel Reprodução/ TJ-RJ O perito também usou um boneco para explicar o processo de intubação e, o que ele chamou de, 'intubação seletiva' no Henry. "Qualquer tubo que estiver inadequado pode gerar trauma na traqueia", disse o especialista. O assistente técnico afirmou ainda que o hospital Barra D'or cometeu diversas falhas no prontuário de Henry durante seu atendimento. "Como não tem nenhum resultado de exame laboratorial nesse prontuário? Isso tudo mostra um grande desprezo pelas normas técnicas, tanto estaduais quanto federais", ponderou. A tese apresentada por Jefferson diverge das conclusões apresentadas por peritos e médicos ouvidos anteriormente pelo Tribunal do Júri. As testemunhas da acusação sustentaram que as lesões identificadas no corpo de Henry são incompatíveis com acidente doméstico ou com as manobras de ressuscitação realizadas no hospital. Lesão pode ter ocorrido até 48 horas antes, diz médico Durante o depoimento, a defesa de Jairinho levantou a hipótese de que a lesão apontada como causa da morte de Henry Borel poderia ter ocorrido até 24 ou 48 horas antes do atendimento no Hospital Barra D'Or. Os advogados destacaram que, nesse período, a criança havia passado parte do tempo com o pai, Leniel Borel, antes de retornar para a casa de Monique Medeiros e Jairinho. Ao ser questionado sobre essa possibilidade, o médico Jefferson Evangelista Corrêa, assistente técnico da defesa, afirmou que esse cenário seria plausível. "É o mais provável", respondeu. Na sequência, o advogado mencionou atividades realizadas por Henry nos dias anteriores à morte, como passeios, brincadeiras e idas a parques, e perguntou se quedas ou outros traumas poderiam provocar uma lesão semelhante à encontrada no fígado da criança. Jefferson respondeu que lesões hepáticas podem estar associadas a diferentes mecanismos de trauma. "Pode ter sido uma lesão por queda de altura ou desaceleração. Queda que eu digo, pode ser em um parquinho, uma queda de 1,5 ou 2 metros. A criança levanta, chora um pouquinho e segue. Mas depois tem o comprometimento encefálico", afirmou. Segundo o médico, por essa razão ele chegou a solicitar que fossem investigadas possíveis situações de trauma ocorridas nos dias anteriores à morte. "Eu pedi que a família apurasse alguma possibilidade na véspera ou antevéspera." Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, usava uma camiseta com fotos do filho Jornal Nacional/ Reprodução O assistente técnico também afirmou que, na avaliação dele, não identificou sinais de maus-tratos crônicos no corpo da criança e questionou a documentação fotográfica produzida durante a perícia. Desde a prisão de Jairinho, a defesa dele questiona a confiabilidade dos documentos, diz que os laudos complementares são ilegais e que as provas deveriam ser anuladas, citando supostos indícios de manipulação desses laudos e diversas irregularidades na produção dos documentos. Monique deixa plenário Por conta das fotos do corpo de Henry Borel mostradas no plenário, a mãe da criança, Monique Medeiros, deixou a sala do II Tribunal do Júri a partir das 11h25. A saída da mãe de Henry do plenário já havia acontecido na última sexta-feira (29) pelo mesmo motivo, quando Monique chegou a passar mal e foi dispensada do júri. Durante o júri, a defesa de Jairinho questionou o perito sobre os laudos assinados por ele, detalhando pontos dos documentos. Em vários momentos, o perito afirmou, que devido ao tempo desde o caso há mais de cinco anos, não lembrava sobre as razões de fazer mudanças nos laudos. Réus devem ser ouvidos a partir de terça Até esta segunda-feira (1), 20 testemunhas foram ouvidas no júri, que já é o júri mais longo do Rio de Janeiro nos últimos 18 anos. A expectativa é que o interrogatório dos réus, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e da mãe da criança, Monique Medeiros, comece na terça-feira (2). Monique será ouvida primeiro, após decisão da 7ª Câmara Criminal do Rio que permitiu que Jairinho só seja interrogado depois de Monique ser interrogada. O pedido foi feito pelos advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher, que argumentaram que Monique acusa o ex-vereador de ter cometido o crime sozinho e, por isso, o depoimento dela antes do dele é essencial para que a defesa possa conhecer integralmente as acusações e se manifestar de forma adequada. O que diz cada laudo: 1º laudo, do dia 8 de março de 2021, às 18h24 A morte foi causada por hemorragia interna e laceração hepática, decorrentes de ação contundente. O exame ainda detectou múltiplas equimoses de 10 mm no abdome e equimoses violáceas nos membros e dorso, assim como infiltração hemorrágica no couro cabeludo, edema cerebral e outras lesões. 2º laudo, do dia 9 de março de 2021, às 16h01 Ratifica as mesmas conclusões do laudo do dia 8 de março. 3º laudo, do dia 9 de março, às 16h03 O perito, respondendo a perguntas da 16ª DP (Barra da Tijuca), disse no laudo complementar que identificou “três feridas no lábio inferior, possivelmente causadas por tentativa de intubação” 4º laudo, do dia 1 de abril de 2021 No laudo, o perito afirmou que Henry foi vítima de homicídio, descartando “qualquer hipótese de acidente doméstico”. O horário do crime foi delimitado entre 23h30 do dia 7 de março e 03h30 do dia 8 de março. 5º laudo, do dia 20 de abril de 2021, às 9h29 Respondendo mais uma vez às perguntas da 16ª DP, o perito afirmou que as “lesões intra-abdominais foram de alta energia”, que Henry Borel ficou vivo por quatro horas após a lesão hepática apontada como causa de sua morte. O perito também apontou que a morte ocorreu de uma a três horas antes do atendimento no hospital Barra D’or. 6º laudo, dia 20 de abril, 16h11 O documento apresentou um mapa das lesões no corpo de Henry Borel, com legendas explicando cada equimose e escoriação. 7º laudo, do dia 21 de abril às 9h55 Neste documento, foram juntadas 8 fotos do cadáver de Henry Borel. Caso se torna o mais longo do RJ em 18 anos O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel entrou neste domingo (31) em seu sétimo dia consecutivo e já se tornou o mais longo realizado no Estado do Rio de Janeiro desde a reforma do Código de Processo Penal que alterou as regras do Tribunal do Júri, em 2008. Neste domingo, aconteceu, entre outros, o depoimento de Thayná Ferreira, a babá da criança e uma das testemunhas mais importantes de todo o processo. a babá iniciou eu depoimento relatando à juíza sobre as três vezes em que Jairinho levou o menino Henry para o quarto, fechando a porta, o que lhe causou estranheza e desconfiança sobre possíveis agressões que o menino teria sofrido. Segundo informou, a primeira vez aconteceu poucos dias após começar a trabalhar como babá, na residência de Jairinho e Monique, no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. A segunda vez, na véspera do carnaval, e a terceira, no final de fevereiro de 2021. Explicou que, na segunda vez, após o período em que ficou no quarto fechado com Jairinho, Henry saiu mancando e, depois, relatou dores na cabeça. Acrescentou que, nas três ocasiões, a mãe Monique não se encontrava na residência. A babá disse que, em todas as vezes, relatou os fatos à Monique, por mensagens e, também, quando ela retornou para casa. Falou, ainda, que Henry se mantinha amuado, limitando-se a dizer que tinha caído da cama ou levado uma “banda”, embora ela insistisse em saber se havia acontecido alguma coisa. Ainda indagada pela presidente do II Tribunal do Júri, Thayná relatou que, no dia seguinte ao enterro do menino, foi levada por um assessor de Jairinho, junto com a empregada doméstica da casa, Leila Rosângela, a um escritório de advocacia, onde se encontrou Monique e advogados e assessores de Jairinho. Ela disse que lá eles buscaram instrui-la sobre o que deveria declarar a uma jornalista que também se encontrava no escritório, assim como no momento de prestar depoimento na delegacia, informando que o casal vivia em harmonia. A babá afirmou que Monique falou para ela apagar as mensagens que as duas haviam trocado pelo celular.